João Cabral de Melo Neto
| João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife, em 9 de janeiro de 1920. Viveu parte da infância nos engenhos da família, nos municípios de São Lourenço da Mata e de Moreno. De volta ao Recife, ingressa aos 10 anos no colégio Ponte d’Uchoa, dirigido pelos Irmãos Maristas, onde permaneceu até sua formatura. | |||||||
| Em 1938, passa a freqüentar um grupo literário que girava em torno do escritor Willy Lewin e do pintor Vicente do Rego Monteiro, no Café Lafayette. Lança seu primeiro livro, Pedra do sono, em 1942, ainda sob a influência do surrealismo. Nesse mesmo ano, muda-se para o Rio de Janeiro, onde se torna freqüentador dos cafés Amarelinho e Vermelhinho, pontos de encontro dos intelectuais cariocas. | |||||||
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Psicologia da composição (1947), publicado pelo selo O Livro Inconsútil |
Em 1945, publica O engenheiro, obra custeada pelo poeta Augusto Frederico Schmidt. Aprovado em concurso para a carreira diplomática, começa a trabalhar, em 1946, no Departamento Cultural do Itamaraty. Em 1947, é transferido para o consulado-geral em Barcelona, como vice-cônsul. Conhece então o poeta Joan Brossa, o artista plástico Antoni Tàpies e Joan Miró. Nessa época, João Cabral adquire uma prensa manual e edita vários livros de poetas brasileiros e espanhóis, além de seus próprios poemas, sob o selo O Livro Inconsútil. Com tiragens baixas, essas plaquetas, livros de aspecto gráfico bem trabalhado, eram distribuídas entre seus conhecidos. Nos acervos do IMS, temos alguns exemplares desses trabalhos tipográficos, como Psicologia da composição, de 1947, com autógrafo para Clarice Lispector, presente no acervo da escritora, e O cão sem plumas, de 1950, com autógrafo a Otto Lara Resende. | ||||||
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Em 1950, é transferido para a embaixada de Londres, mas, acusado de subversão e propagador de idéias comunistas, volta ao Brasil para responder a inquérito e fica à disposição do Itamaraty até 1954, quando retoma suas atividades diplomáticas. Em 1968, é eleito, por unanimidade, para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Assis Chateaubriand, ocupando a cadeira 37. |
O Engenheiro, de 1945 |
João Cabral não se sentia integrante da geração de 45, segundo declarou diversas vezes ao longo da vida. O autor de Psicologia da composição não concebia a criação poética como um ato que fluísse do inconsciente do escritor, uma linguagem sem diálogo, intransitiva, sentimental, uma poesia cheia de musicalidade, carregada de lirismo, sem perturbar ou mexer com a consciência do leitor. | |||||
| Observa Marly de Oliveira, no prefácio da Obra completa do poeta: “Situado cronologicamente na geração de 45, dela se afasta por essa sua atitude diante do fazer poético, que diz NÃO a todo tipo de confessionalismo, exigindo um tipo de verso que obrigue o leitor a despertar, fazendo apelo à sua razão e inteligência...”. | |||||||
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Pesquisa: Sergio Barbosa da Silva
Texto: Estela Alves Madeira e Sergio Barbosa da Silva
